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8.9.16

no extremo oriente de Paris

enquanto não nos atrevemos a experimentarmos uns aos outros, a desconfiança, o medo e as duvidas cinzentas com varias camadas de preto e branco continuaram entre nós, infelizmente estaremos sempre distantes e perdendo oportunidades de saborear as nossas diferenças. 

uma cidade que da espaço aos outros que vêm de longe e se deixa enamorar pelos seus sabores, cheiros apesar do desconhecimento, da desconfiança, das duvidas e do medo é sim uma grande cidade... melhor, é uma cidade que sabe receber, viver e conviver com a diferença.

6.9.16

um post longo para uma descoberta profunda.

da janela do comboio com destino a próxima paragem atravessei a França de norte a sul, cruzando paisagens que por vezes pareciam cenários perfeitos para filmes publicitários... com horas e horas de viagem até chegar a escuridão da noite que mudou a paisagem da minha janela com o reflexo do interior da carruagem. 
próximo da meia-noite cheguei Dax, pequena cidade com a sua pequena e sofisticada estação de comboios que aparentemente conseguir um táxi era tarefa fácil. hora e meia depois de muitos telefonemas e quase a cair no desespero chegava o táxi que me levou até Salies-de-Béarn, o meu destino final. 

depois de uma noite bem dormida, acordei com um dia lindo e temperatura altíssima... fora isso, parecia que tinha entrado numa maquina do tempo e recuado muitos anos, num lugar que a vista das casas pareciam que a cidade parou no tempo e os minutos do relógio andassem a velocidade de um camaleão! silêncio, paz, felicidade e alguma inveja de olhar aquelas pessoas que habitam um lugar onde se escuta as conversas dos pássaros. 

Salies-de-Béarn é uma vila que vive da fama da sua água termal, mas pessoalmente achei o lugar com coisas muito mais interessantes... a história, a arquitectura, as ruelas, o ambiente provinciano, o carteiro da bicicleta, a quase ausência da policia armada até aos dentes, a baguete e o croissant da padaria, a sensação da área cinzenta na palma dos pés, o olhar sereno e feliz do idoso que repousa no parque, a sensação de segurança... até a tourada parecia do antigamente! 

descobrir lugares assim alimenta aquela sensação da possibilidade de viver simples e ser-se feliz.

3.9.16

T'es betu!

viajar de comboio está entre as coisas mais prazerosos que se podem fazer pela Europa... sair dos grandes centros e observar pela janela do comboio paisagens que por vezes fazem lembrar as pinturas de Vincent Van Gogh, passando por pequenas cidades, vilas e por vezes apeadeiros tão silenciosos que a chegada das carruagens é quase um acontecimento!

Courset é uma comuna no norte da França com aproximadamente 600 habitantes (na maioria idosos), com paisagens verdes num céu completamente azul, num ambiente que transmite uma desconexão quase total com o ruído, num lugar que  cheira queijo misturado com capim seco usada na pastagem do gado que faz parte da paisagem local.


apesar da aparente desconexão com o mundo, um negro por essas paragens é quase sempre olhado como um possível emigrante africano que atravessou o mar, conseguiu chegar a salvação mas ELES trazem problemas para a França. possivelmente, a câmara fotográfica e o a vontade com que caminhava traziam duvidas aos olhares profundos e desconfiados, mas a afabilidade das pessoas fez baixar os meus pensamentos preconceituosos sobre o olhar daquelas pessoas.



25.8.16

Voilà... cá estou de volta a Paris

regressei a Paris num momento em que a França vive uma situação complicada e polémica, que normalmente acompanho a distancia do ecrã da televisão.

a viagem via Dubai com uma paragem de 3 horas num aeroporto com um terminal que mais parece um centro comercial de um país ocidental com excepção das pequenas mesquitas e das muitas mulheres completamente cobertas que vi num único espaço. apesar de todas as condições (o Terminal 3 oferece tudo ou quase tudo que um passageiro em transito precisa!) que quase me fizerem esquecer que estava no aeroporto internacional do Dubai, achei o lugar esquisito, deslocado e o mais chocante são os sinais bem visíveis da hipocrisia que existe no olhar que a cultura muçulmana tem dos hábitos e costumes ocidentais!

entretanto, Paris parece-me uma cidade insegura e em conflito consigo mesma... uma cidade que apresenta sinais de desconfiança de todos os cantos, onde os seus habitantes (incluindo turistas) sentem-se na obrigação de escolher o lado que apoiam numa guerra real e invisível. uns estão do lado A, outros são a favor do lado B, mas existem aqueles que por estarem por cima do muro são pressionados pelos dois lados para obrigatoriamente apoiarem um dos lados!

mas ainda assim, existem muitos franceses e não franceses que acreditam que Paris continua sendo Paris e jamais deixará de ser a cidade da luz e do amor.

7.8.16

e tudo continua a funcionar como já funcionava antes...


para um angolano nascido na década de 80, uma eleição não é um acto tão vulgar. com excepção de duas que presenciei em Angola, Portugal foi outro país onde tive a oportunidade  ver como se faz alternância do poder presidencial, partidário e também autarca.

no passado dia 3, aqui em Cape Town a quarta-feira parecia um domingo, e apesar da baixa temperatura o céu esteve limpo e o sol aqueceu o dia. a tolerância de ponto    deveu-se ao acto eleitoral, o primeiro que presenciei num outro país africano, esse continente que tem a fama (e proveito) que os actos eleitorais na maioria dos países geralmente são fraudulentos!

para um turista estrangeiro que pouca importância da as noticias da imprensa local, possivelmente não se aperceberia do acto, num dia que parecia normal como outro onde tudo funcionava como se fosse um domingo qualquer.

ao final da tarde, a promenade encheu de famílias, jovens, crianças, idosos, africanos, asiáticos, europeus, latinos americanos e outras gentes que caminhavam em direcções opostas e com olhar atento no lindo pôr do sol, sem preocupação do dia a seguir.

no dia seguinte, os jornais escreviam que foram umas eleições históricas... desde as primeiras eleições realizadas em 1994 e ganhas por Nelson Mandela, esta foi a primeira “derrota” do ANC.

um acto insignificante para um povo que pode decidir por quem quer ser governado.