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7.8.16

e tudo continua a funcionar como já funcionava antes...


para um angolano nascido na década de 80, uma eleição não é um acto tão vulgar. com excepção de duas que presenciei em Angola, Portugal foi outro país onde tive a oportunidade  ver como se faz alternância do poder presidencial, partidário e também autarca.

no passado dia 3, aqui em Cape Town a quarta-feira parecia um domingo, e apesar da baixa temperatura o céu esteve limpo e o sol aqueceu o dia. a tolerância de ponto    deveu-se ao acto eleitoral, o primeiro que presenciei num outro país africano, esse continente que tem a fama (e proveito) que os actos eleitorais na maioria dos países geralmente são fraudulentos!

para um turista estrangeiro que pouca importância da as noticias da imprensa local, possivelmente não se aperceberia do acto, num dia que parecia normal como outro onde tudo funcionava como se fosse um domingo qualquer.

ao final da tarde, a promenade encheu de famílias, jovens, crianças, idosos, africanos, asiáticos, europeus, latinos americanos e outras gentes que caminhavam em direcções opostas e com olhar atento no lindo pôr do sol, sem preocupação do dia a seguir.

no dia seguinte, os jornais escreviam que foram umas eleições históricas... desde as primeiras eleições realizadas em 1994 e ganhas por Nelson Mandela, esta foi a primeira “derrota” do ANC.

um acto insignificante para um povo que pode decidir por quem quer ser governado.

24.5.16

por dentro do centro marginalizado.

depois das townships, o centro de Cape Town é o provavelmente o local que os residentes menos recomendam aos turistas. como qualquer outra cidade que recebe muitos turistas, aqui o centro também apresenta os seus perigos... de tal maneira que depois das 17h as ruas ficam num silêncio por vezes confundido com uma pequena vila do interior! 

acho a recomendação exagerada, e aquele turista que acreditar totalmente no concelho que deve evitar o centro, possivelmente perde aquelas surpresas que surgem entre as esquinas da Long Street com as outras pequenas ruas. 

é interessante também porque muito da arte que se vende no centro aparentemente como parte da cultura negra sul africana, é na verdade (na sua maioria) arte de outras paragens africanas. localizado no cruzamento entre a Longmarket e Burg Street em frente a magnifica Central Methodist Mission, o Greenmarket Square é um exemplo perfeito... ali é possível encontrar vendedores (artesões) de muitas partes de África, principalmente do Congo (Kinshasa e Brazzaville), Nigéria, Ruanda, pessoas que infelizmente muitas vezes tentam vender a sua arte como arte sul africana, o que na maioria dos casos é falso. 

fora esse questão e os cuidados que se deve ter com a segurança como em qualquer outra cidade, penso que o centro de Cape Town é de visita obrigatória e sempre com os olhos e ouvidos bem atentos para quem queira aperceber-se das surpresas como as duas senhoras de certa idade que encontrei na esquina entre a Castle e a Burg Street a cantarem gospel com uma voz inesquecível!