...

...
Mostrar mensagens com a etiqueta work. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta work. Mostrar todas as mensagens

1.5.17

Freedom Day, District Six e outras descobertas

no feriado do 27 de Abril (Freedom Day) fui finalmente visitar o District Six Museum, lugar de muitas memórias de horror que se tornou numa ilha de tolerância e liberdade no meio de tanta tirania e injustiça que acontecia nos anos de apartheid. 


Pass raids were a daily feature of the lives of Africans. They took place at arbitrary times, at bus stops, railway stations, factory gates or in the dead of night during house to house searches. Along with raids came prosecutions and fears of eviction, losing your home and job and being separated from family and friends. Pass laws were another means of enforcing segregation. They had been introduced as early as 1760 by the Dutch colonial government and applied to slaves in the Cape. Subsequently, during the 19th and 20th centuries the pass laws were used to control the movement, settlement and employment of "African" people, by removing then from the urban areas when their labour was deemed redundant or not permanently required. It has been estimated that since the beginning of the 20th century more than 17 million Africans have been arrested or prosecuted under the pass laws.


ao sair do museu deparei-me com o edifício do Centro Comunitário que também faz parte do museu onde estava acontecer um Fórum Aberto e Exposição intitulada Phefumla! (Breathe!), palavra Xhosa que significa respirar. a exposição organizada por um colectivo de artistas (fotografa, speaker, poeta,etc) interessadas no trabalho artístico e intervencionista que desafia as ideias hegemónicas de protesto e activismo. 
no mesmo espaço ouve um debate aceso com intervenções extraordinariamente interessantes sobre a Descolonização da Memória Pública da Cidade, que terminou com uma performance na Grand Parade Town Square, com intervenções justamente na estátua de Edward VII, Rei do Reino Unido incluindo as Colónias Britânicas.

17.2.17

Cape Town Art Fair Vernissage

para todos os países que acreditam que os poços de petróleo, as descobertas das grandes pedras de diamantes e tantas outras supostas riquezas naturais compram o desenvolvimento intelectual dos seus povos, desistam porque estão no caminho errado... para chegarem a este nível ou o mais próximo dele não existe outro caminho se não investirem na formação das pessoas. 

15.2.17

a minha primeira vez... será em Cape Town.

não será em Luanda porque nem sempre aquilo que planeamos acontece numa linha recta... por vezes, existem voltas que nos surgem até chegarmos ao plano prefeito. seja como for, Luanda não tem como se sentir traída porque existe a certeza que teremos a nossa vez. 
mais informações aqui.


18.2.16

fragmentação num espaço novo

como em muito segmentos da nossa sociedade, também a arte sofre de muitos problemas causados pela situação do país... não me refiro a crise actual mas sim a um conjunto de investimentos que foram feitos ao longo dos anos com prioridades erradas. 

entretanto, a par disso há também o factor humano que tem a sua cota de responsabilidade na forma como o país caminha. há um sentimento espalhado pela sociedade angolana que as “riquezas” naturais que supostamente o país tem substituem o trabalho e tudo se resolve porque somos ricos! infelizmente e como não deveria deixar de ser, esse cancro está também no meio artístico, sendo que no caso dos artistas ainda temos a falsa questão da inspiração que também piora as coisas. 

num país em que a cultura é considerada uma perca de tempo e dinheiro, é normal que os artistas se virem para sustentar as suas necessidades e o seu trabalho em si... mas a sua maioria se esquece que num mundo globalizado e misturado como o de hoje, a qualidade e a seriedade do seu trabalho trazem resultados de todos os cantos. é urgente que os artistas de cá se apercebam que trabalhar com arte exige a mesma disciplina, profissionalismos e por vezes até formação que qualquer outra profissão... como o advogado, o cozinheiro, o economista, um artista também precisa de investigar para dominar os matérias e as técnicas que pretende aplicar em determinada ideia... como o arquitecto ou o publicitário, um artista também precisa saber que hoje em dia não tem grande espaço de networking se a sua comunicação é feita apenas em português... como o jornalista ou até mesmo um pasteleiro de doces, um artista precisa mentalizar-se de uma vez por todas que aquela ideia de que as grandes ideias surgem do nada do vazio e em muitos casos do charro de liamba ou dos copos de whisky na madrugada fora é utopia dos filmes de hollywood... as grandes ideias surgem da disciplina de trabalho, da formação pessoal, de horas e horas de pesquisa, da humildade, da capacidade de se reinventar, mas também do facto de perceber que até aquele talento de nascença também precisa de ser alimentado e actualizado, caso contrario o panorama artístico jamais vai sair do momento actual de completa estagnação e enganação entre todos os intervenientes. o artista que se engana a si próprio que tem uma obra interessante, do curador (temos??) que engana o artista que a sua obra é excelente, do produtor que acredita na mentira do curador e do artista e consegue vender essa mentira aos patrocinadores, do jornalista que mesmo sem perceber nada também entra para a mentira e escreve sobre o assunto .. e por fim, o público que se alegra porque a mentira do artista é diferente de tudo aquilo que já viu, sendo que a diferença por cá muitas vezes entende-se como sinónimo de arte! 

no final, vivemos todos numa grande mentira. 

mas esse não é um texto sobre a mentira que se cria na arte angolana... esse é um texto sobre a fragmentação do trabalho de um artista angolano que possivelmente soube contornar a mentira procurando justamente alguns dos itens que são tão importantes para um advogado, um economista ou um jornalista. em angola, é raro encontramos um artista que saiba explicar o conceito do seu trabalho, os objectivos e muitas vezes as linhas de pensamento que o levaram para o caminho x ou y... e isso, é por si só um facto que separa aqueles que são água daqueles que são azeite, sendo que a mistura que muitas vezes se transmite aqui dentro não coincide em nada quando a água e o azeite vão lá para fora, porque na verdade a água consegue sair com convites internacionais enquanto que o azeite sai apenas com convites de determinados ministérios que sem legitimidade alguma decidem que aquelas obras representam alguma coisa incluindo a arte nacional. 

mas voltando ao assunto do texto que é sobre a exposição Fragmentação 1.0 de Januário Jano, num espaço novo com as suas qualidades e defeitos mas que seguramente é o único na cidade de Luanda que se deveria chamar galeria, a exposição tem também a novidade de sair da mentira que andamos sendo que terá 2 meses de duração, o que cria um grande desafio a Mov´art, produtora do evento, que terá de levar o publico ao espaço depois do dia do vinho e dos rissóis. Fragmentação 1.0 com pintura, instalação, site-specific e video abre hoje as 18h na galeria Banco Económico.

12.12.15

histórias…

uma parte do nosso trabalho é ajudar a imprensa a descobrir boas histórias, independentemente se têm um final feliz ou não. 

o Sacerdote é um MC que vive no Sambizanga, um bairro fora da zona urbana de Luanda mas que faz parte da história da cidade desde os tempos que os portugueses andavam por cá. conhecemos esse MC alguns anos atrás, na altura estávamos a desenvolver um trabalho de pesquisa em parceria com o jornalista/escritor António Tomas e passamos alguns dias no bairro, onde Sacerdote guio-nos desde o seu estúdio (na altura em obras) e os meandros da “industria” musical da zona. 

mais tarde, voltamos a encontra-lhe e trabalhamos juntos no projecto Ten Cities, criado pelo Goethe-Institut do Quénia em parceria com a Adaptr.Org, ideia que visa repensar a relação entre a esfera pública, espaços públicos e cultura, iniciativa que hoje vai apresentar em cd o resultado dessa parceria entre 5 cidades africanas e 5 europeias, onde Luanda casou com Nápoles. 

Sacerdote é também o fundador da plataforma DIZKUDURO, um lugar onde os jovens poderão lapidar as ideias brutas que têm, produzindo os seus próprios filmes, documentários, músicas ou outras formas que encontrarem de apresentarem a sua arte. 

escute aqui a entrevista com MC Sacerdote na Red Bull Music Academy.