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10.10.16

ADDIS ABABA ASSEMBLY

em África, a música de intervenção faz parte das sociedades, mesmo em países que vivem sobre regimes menos democráticos ou até em ditaduras... a música sempre foi um canal para enviar mensagens, que por vezes são simples lamentações, frustrações ou alegrias vividas por determinado povo. 

a performance dos Addis Ababa Assembly é o choro de lamentação e frustração de muitos povos africanos, com sons Pan-Africanos, que clamam mudanças para os seus com lágrimas verdadeiras, ao ponto que a determinado momento do show o artista que lia os discursos numa rígidos rígida, não se conteve perante a voz húmida da vocalista! 

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Addis Ababa is a Cape Town based
band specialising in Pan African music. It incorporates both traditional African songs and contemporary styles of hip-hop, reggae, and, for lack of a better term, Afro Pop. The band also integrates traditional instruments with western instruments creating an array of fascinating melodies, harmonies and rhythms.

6.10.16

Silent Cries

a qualidade das peças de teatro tem sido uma das surpresas mais surpreendentes que tenho tido ao longo desse festival! possivelmente, para outros estrangeiros que sempre acompanharam com mais atenção a dramaturgia sul africana não se surpreendem... mas para mim que praticamente comecei a interessar-me por esse país a apenas um ano, falta-me ainda descobrir respostas para muitas perguntas. 

para um país que até 22 anos atrás vivia num sistema de segregação racial, como é possível que em "tão pouco tempo" tenham formado tão bons actores de teatro, que apresentam em palco uma base intelectual tão alta e sólida!? formam-se depois do fim do apartheid? questiono-me porque não sei mas quero muito entender como se fizerem tantos actores com essa qualidade. 

Silents Cries é uma peça que fala de um tumulto entre um grupo de crianças Afrikans e outros da etnia Zulu, que acabaram por morrer. o acidente aconteceu em Durban e a peça é representada na sua maioria por crianças todas elas nascidas numa Africa do Sul diferente... entretanto, a sua postura em palco transmite um sentimento e identificação extraordinários com acontecimentos de uma época que ainda não eram nascidos. infelizmente, algumas partes da peça são bem contemporâneos na vida dessas crianças porque ainda acontecem num formato menos visível. 

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Dance, Visual & Physical Theatre A story presented through the eyes of children about the incident that happened in Durban where a group of 
3 to 4 Africans where burned deliberately to death by a group of the Zulu community.

5.10.16

Pata Pata...

não sei o que significa Pata Pata, mas sei que quando vejo este pôr do sol lembro-me da Mirian Makeba!

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I don´t know what it means Pata Pata, but I know it when I see this sunshine, I remember Mirian Makeba!

3.10.16

Normadic Orchestra

normalmente a curiosidade é uma linha que nos leva para um caminho com duas opções. ou nos surpreendemos ou arrependemos de determinada escolha feita simplesmente porque tivemos curiosidade. 

fui ver o show dos Normadic Orchestra única e exclusivamente por curiosidade. não sabia nada da banda e nem sequer me dei o trabalho de pesquisar alguma coisa no google... fiquei curioso pelo nome e a fotografia deles que vinha no programa do festival, um palco com iluminação por todos os cantos! 

primeira surpresa da noite foi o auditório do City Hall... o espaço parecia-se com o salão de uma igreja, um teto com grandes candeeiros e balcões suspensos ao longo das paredes do género de um espaço que recebe ópera. 

com um ligeiro atraso para que a sala ficasse composta, a noite foi estrondosamente transcendente... faz tempo que não presenciava um show com uma atmosfera electrizante que levou o público ao céu! excelente sincronia entre a banda e a assistência (e vice-versa), numa conversa intima em que do palco vinham sons de jazz, hip-hop, house ou música electrónica experimental e a plateia respondia com movimentos delirantes e palavras de agradecimento por presenciarem uma inesquecível viagem!

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Right at the core, the essence of Nomadic Orchestra is dance music. They are a group of musicians that have come together on
an exploration of this core element, inspired by various cultures of dancing from around the world. Sourcing inspiration far and wide, from underground club scenes
to timeless traditionals, in an effort to create and perform a universal style of music that appeals to a basic desire in all people: to dance in any way that the music moves them. Comprised of Gabriel on saxophone and raps, Joe on tuba, Jono on trumpet, Greg on guitar and Marlon on drums, the combined influences vary from jive to jazz, hip-hop to house, experimental to electronic - Nomadic Orchestra is a wall of sound inspired by a world of sound.

1.10.16

o meu primeiro…

o Fringe é o primeiro festival que assisto em Cape Town... um evento novo no panorama sul africano, com apenas dois anos. o festival acontece no City Hall, um lindo edifício construído em 1905 para ser o centro administrativo da cidade, mas actualmente é utilizado como espaço de exposições, concertos num belo auditório que se confunde com o salão de uma igreja! 

o festival apresenta-se como o lugar de encontro das vozes mais frescas no Cabo Ocidental, o resto do país e para lá do oceano... artistas jovens, românticos, refletivos, lunáticos, alguns vão actuar no seu primeiro festival, outros menos conhecidos hoje, serão estrelas amanhã... tudo numa mistura entre o teatro, a dança, teatro visual, comédia, documentário, música, etc. como em quase todo o lugar nessa cidade, as crianças não foram esquecidas! 

a minha estreia foi com a peça De-Apart-Hate, uma performance teatral com dança, representada por Mamela Nyamza e Mihlali Gwatyi. os 2 artistas apresentam-se em palco com um discurso visual e físico, onde tentam transmitir uma mensagem um pouco distanciada do discurso da colonização humana muitas vezes cegado pela disputa de raças, classes e outros preconceitos que nos aprisionam numa espécie de um processo De-Apart-Hate. 

a música tem uma influência muito forte, e para mim que adoro a música gospel sul africana, foram 40 minutos super excitantes. 

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Currently, our Art is besotted with patronage instead of possibilities for all. As artists in South Africa, we need a discourse that goes beyond “decolonisation”, a discourse that moves towards humanity, ubuntu, without being blinded by race and class, a discourse that I call a DE-APART-HATE PROCESS. This process is thus the most potent weapon to make the oppressor understand that s/he is just human and not superior over other
 human beings, and to make the marginalized understand that s/he is just human, and not inferior. This requires an honest dialogue, a ´discourse on issues of the social, economic and educational systems in South Africa; but, the De-Apart-Hate Process is a true discourse for genuine and effective introspection before re-action.