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20.2.17

#CTAF17

e fecharam-se as cortinas da 5ª edição da Cape Town Art Fair, a primeira para mim.

três dias de muitas mensagens em diferentes formas de arte, três dias de muitas conversas interessantes, três dias de muitas misturas, três dias de muitas descobertas, mas também de muitos momentos simples mas inesquecíveis como sentar-me ao lado do Justin Dingwall e ter uma conversa como se fossemos íntimos! olhar de perto o Tumelo Mosaka numa simplicidade e afável disponibilidade que quase ofusca aquele cérebro de génio... descobrir o Massimo Agostinelli e os seus Anagrams, ouvir as histórias de Albie Sachs naquele que foi para mim o melhor talk da feira... cheirar as obras do Pieter Hugo, desfolhar uma edição da revista Chimurenga, "tocar" numa peça de Yinka Shonibare Mbe ou uma simples troca de ideias com a maravilhosa Tony Gum numa timidez próprio de alguém que aceita com bastante humildade a grandeza e qualidade do seu trabalho... enfim, a lista seria grande e possivelmente não termina num único texto todas as coisas boas que aconteceram na #CTAF17.

como em qualquer evento independente do segmento, no final é com naturalidade que pessoalmente escolhemos os destaques, mesmo depois dos factos que apontei no paragrafo acima, a que escolher um destaque, não adianta fingir.

podia destacar aqui o interessantíssimo vídeo Afro Promo #1King Lady da zimbabueana Nora Chipaumire ou o impacto perturbador das mensagens do Kudzanai Chiurai... mas vou propositadamente puxar o peixe para o meu lado e torcer pelos meus ou no caso o meu, pelo simples facto de ser uma grande vitória de alguém que vem de um lugar que a arte se encontra num sarrabulho de enganos, mentiras, intrigas desnecessárias, falta de investimento e formação e principalmente pelo engano quase geral de muitos que autointitulam-se de artistas porque falsos curadores e galeristas os fazem acreditar numa mentira!

o meu destaque para #CTAF17 vai exclusivamente para o Edson Chagas, por ser o primeiro e único artista angolano com trabalhos que fazem parte do espolio do Zeitz Museum Of Contemporany Art Africa – MOCAA, o primeiro e maior museu em África dedicado a arte contemporânea, que vai abrir aqui em Cape Town em Setembro deste ano. se isso não é uma noticia de destaque num país em que as boas coisas normalmente são reconhecidas de fora para dentro... então é porque continuamos a seguir pelos trilhos errados dando legitimidade a mediocridade. fiquei feliz pelo Edson e orgulhoso pelo destaque que o seu trabalho teve na feira.

não há voltas a dar, Cape Town é o place, a par de 3 ou 4 cidades africanas, definitivamente são esses os lugares que a arte angolana tem que se focar e desligar-se um pouco do cliché que a internacionalização da nossa arte significa Lisboa... concentremo-nos na proximidade de cidades como Acra ou Iaundé com humildade e sem aquela arrogância que somos os maiores, assumir que nos falta mais formação, ler muito, escrever e investigar mais para que possamos construir uma base suficientemente sólida para no mínimo tentarmos nos aproximar do movimento cultural duma cidade como Nairobi, para citar o país da artista Jackie Kurati vencedora do Cape Town Art Fair 2017 Tomorrows/Today Young Artist Award.


next stop, de 24 de fevereiro a 5 de março, Art Africa Fair 2017.

15.1.16

Stevenson

por vezes, passamos por situações tão simples mas que nos criam um grande sorriso de felicidade! 

antes da viagem para Cape Town li algures que o Edson Chagas ia expor numa galeria na Africa do Sul... não lembro onde li nem em que cidade seria a exposição, e também já não sei se realmente na pouca pesquisa que fiz para a viagem cheguei a essa informação, só para saber se por acaso era em Cape Town. 

na longa caminhada que fiz por Woodstock fui parar Buchanan Square, e foi a partir de lá que ao acaso cheguei a Stevenson, uma galeria no nº 160 em Sir Lowry Road com entrada discreta para um armazém, onde no hall deparei-me com livros do Guy Tillim e do Pieter Hugo! 

simpática e de sorriso aberto, S perguntou-me se precisava de ajuda. deu-me um flayer com detalhes da exposição SCHEMA e desapareceu entre as paredes brancas da galeria. fui entrando ao mesmo tempo que lia o flayer, quando do nada entre Wim Botha e Ian Grose lá estava o nome do Edson Chagas! regressei ao hall e com um grande sorriso disse a S que era camba do Edson e como angolano queria antes demais ver o trabalho dele.

depois veio a conversa, uma rápida apresentação do espaço e o a vontade para fazer imagens sem receios. o espaço é bastante interessante, lindo e com cheiro e áudio criativo como outros que visitei pela zona, mas encontrar ali o Edson no meio do Pieter Hugo, Moshekwa Langa ou Meleko Mokgosi, encheu-me daquele absurdo orgulho patriota! como diz-se muitas vezes: podes sair da banda mas dificilmente a banda sai de ti.